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sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Abraham

Deus me deu um amigo há 34 anos mas eu não sabia que era meu amigo.
Eu sabia que era meu irmão mas não uma pessoa que me ensinaria tanto em algum momento da vida.
Abraham sempre foi muito quieto, introvertido, pra mim sempre foi um enigma. Poucas vezes consegui chegar perto de quem ele realmente é. 
Mas acontece que nos últimos meses andei descobrindo um pouco de quem realmente é meu irmão caçula. 
Eu não sei se todas as famílias são assim mas eu sempre acho que não nos conhecemos tão bem, por falta de interesse ou atenção, talvez egocentrismo até, sempre penso que não nos conhecemos o suficiente.
Meu maior medo é que nunca venhamos a nos conhecer de verdade ou que quando começarmos seja tarde demais.
Mas voltando ao Abraham, ele me toca no profundo da alma, me causa uma extrema vontade de protegê-lo de tudo e todos, cuidar dele como a rosa do pequeno Príncipe. 
Como sabem eu não cheguei a ser mãe, não consegui segurar meu filho nos braços, amamentá-lo e sequer vê-lo mas o amor que tenho pelos meus irmãos e sobrinhos é tão imenso que os tenho como filhos no coração. 
Eu sei que morreria por eles.
O Abraham é tão sensível e ao mesmo tempo tão inalcançável, é desprendido de matéria. 
Eu ousei compará-lo a João Batista outro dia e perguntei se ele já estava se alimentando de gafanhotos e mel silvestre. Eu realmente perguntei e não foi exatamente uma brincadeira boba. 
Ele só respondeu: "Ainda não"
Fui visitá-lo e fiquei dando ideias pra sua casa, coisas que eu creio serem essenciais mas que pra ele não têm a menor importância. 
Foi um choque pra mim porque a simplicidade dele é incompatível com as pessoas de hoje, inclusive comigo.
A riqueza dele é simplesmente ele.
Eu tenho me emocionado muito com ele ultimamente porque tem se mostrado mais e confiado em mim, eu acho.
Mas o que mais me emociona é ter o privilégio de ser a irmã mais velha dele. 
É o melhor presente que Deus me deu e eu lembro quando ele chegou em casa e fiquei maravilhada com aquele serzinho tão pequeno. Era todo vermelhinho, cabelos fininhos e espetados rss.
Deus é Maravilhoso comigo por ter me dado o Abraham e o Alex como amigos, meus únicos melhores amigos. 

Atualizando: Abraham hoje está com 38 anos e ainda me surpreendo com tanta riqueza de sua essência. 

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Um pedacinho perdido

Onde ficou aquela menina cheia de sonhos e brincalhona, que ouvia ABBA em alto som com apenas 7 anos de idade?
Senti saudade de mim porque não sei onde estou.
É que meus caminhos me trouxeram pra longe de quem realmente sou e eu já não sei mais quem sou.
Não, essa não sou eu, essa definitivamente não sou eu.
Eu me perdi há muito tempo nos braços do tempo, nas mãos das más escolhas, minha vida deixou de ser minha quando perdi a inocência. 
Encontrei uma playlist do LP ''The Visitors'' de ABBA no Youtube e coloquei o fone de ouvido o som mais alto, fechei meus olhos e lá estava eu, com 8 anos ouvindo meu disco preferido em todo o mundo.
Cada música mexeu com um pedacinho do meu ser e então pude me reconhecer e eis que aqui estou.
Uma menina inocente, cheia de vida...
Eu tinha medo do desconhecido, medo de ficar sozinha, medo de ficar longe da minha família.
LONGE DA MINHA FAMÍLIA.... LONGE... LONGE... LONGE...
E então percebi que eu era apenas um pedacinho, como uma célula ou um órgão e tudo que eu era não fazia parte somente de mim. 
Os caminhos que escolhi me fizeram perder partes importantes que me faziam ser aquela menina e ela ficou partida em pedaços e não tem recuperação pois o tempo já desgastou os encaixes.
Eu sinto falta de mim como um pedacinho, sinto falta das outras peças, sinto falta de quem éramos. 
Hoje não tenho identidade, não sei onde me encaixo, não sei de onde venho nem pra onde vou, eu apenas estou aqui e nem mesmo sei o que estou fazendo ou o motivo de ainda estar aqui.


I LET THE MUSIC SPEAK 

Dag Veloso



sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Ela não tem culpa

30 de agosto, esperava pela consulta quando de repente uma mulher grita:
_"Eu tô com câncer, vou morrer, como pode dizer que vou ficar bem?"
Todos ficaram quietos ao ver a cena.
A acompanhante diz:
_"Ela (a enfermeira) não tem culpa, fica calma."
A mulher, então, joga com fúria a bolsa que segurava nas mãos sobre uma cadeira fazendo um barulho que assustou todos ali já em silêncio, inclusive a mim.
A enfermeira com toda paciência do mundo acariciando o braço da mulher diz que ela tem razão mas que precisa se acalmar.
Fiquei paralisada e com vontade de chorar.
Pensei em ir até ela e dizer que câncer não é mais uma sentença de morte mas, sim, um motivo de luta constante.
Não dá pra ter preguiça e deixar de lutar um dia pra descansar, todo dia você precisa lutar contra aquilo que tenta te destruir e que, infelizmente, está dentro de você.
Porém eu não fiz nada, só fiquei ali paralisada.
Porque talvez eu esteja com raiva assim como ela.
Talvez me falte gritar, socar um travesseiro, colocar a culpa no mundo e tudo o que eu não fiz mas assisti outros fazerem.
Passei por muitas coisas sorrindo e cheia de tranquilidade mas meu sorriso já não está escancarado como antes e minha dor não se limita apenas aos ossos, já atinge a alma...
Eu só queria não ver mais toda essa dor. 
Dag Veloso


sábado, 27 de maio de 2017

Um café e um sorriso

E de uma menina cheia de sonhos e ilusões, muito romântica nasceu uma mulher prática, sem romantismo algum, já machucada pelas farpas da vida.
No entanto o amor renasce em seu coração.
Foi um café o responsável.
O café e um sorriso.
E tudo se transformou.
Então renasceu uma nova mulher, cheia de sonhos e com o romantismo a lhe enfeitar a vista.
E a vida é a responsável por esta paixão.
Aceita um café?

Dag Veloso




domingo, 21 de maio de 2017

Outono

Campos do Jordão

Outono é minha estação favorita.
Dias perfeitos, o vento parece cantarolar, é um período de romantismo ímpar.
Apesar de ser a primavera a estação das cores é o outono que traz aquela sensação de aconchego, aproximação e união.
Esse ano meu outono foi marcado pelas lindas folhas europeias de Campos do Jordão, cenário romântico e inesquecível.
Vivi muitas coisas mas nada se compara ao que vivi naqueles dias em Campos e jamais esquecerei as lindas paisagens, o friozinho elegante, sua arquitetura campestre e tudo lá foi perfeito.
Gostaria que aqueles dias nunca tivessem se acabado.
Mas como tudo, aquilo também se foi e hoje é só uma doce lembrança.
A vida segue, as lutas chegam e os doces momentos ficam pra que jamais esqueçamos de que um dia a história fora perfeita.
Sempre sentirei sua falta, Campos do Jordão.

Dag Veloso 

Escrever e viver

Sinceramente eu amo escrever e faço isso razoavelmente bem, o suficiente pra passar naquilo que escrevo tudo aquilo que sinto.
As situações de minha vida me ensinam ou me fazem pensar e repensar e então eu escrevo.
Não é sobre você ou outra pessoa mas sobre mim e tudo o que sinto.
Alguns se identificam tanto que tomam como pessoal, me excluem, já teve quem tirou satisfação e eu, nem de longe, havia pensado na pessoa...rss Faz parte!
Mas é sempre sobre mim.
Desde pequena gostava de diários, tinha poucas amigas por conta da timidez exagerada e era muito fechada, encontrava na caneta um guia e no papel uma pousada reconfortante, talvez meu verdadeiro lar.
No dia 10 de junho de 2005 alguém me perguntou se eu precisava de algo, eu estava imóvel numa cama de hospital e provavelmente não voltaria a andar e eu pedi apenas um caderno e uma caneta.
Escrevia tudo que sentia ali, dia após dia entre lágrimas e dores.
Anos depois (graças à Deus andando) fui apresentada ao mundo maravilho (talvez não tão maravilhoso) do blog. Foi quando passei a escrever aqui, pelo menos aquilo que mais marcou minha vida.
Nem todos entendem, nem todos aceitam.
Passei por três relacionamentos e todos tentaram tirar de mim a "caneta".
Eu até cogitei em largar mas aquilo que eles também poderiam parar por minha causa nem cogitaram em fazer. E hoje percebo como é simples me amar, porque me doo, eu abro mão, até mesmo daquilo que mais amo consigo considerar abrir mão.
Mas não vale a pena, ninguém vale ou se faz valer o sacrifício.
E eu não me importo se pra alguns soa ridículo o que escrevo, se me exponho por ser sincera ou intensa, pode até parecer idiotice mas pra mim não é, escrever é minha vida e por ninguém vou parar.
Saibam que um escritor começa a morrer no dia que parar de escrever e ainda não faço planos de parar de viver, ou escrever.
E essa sou eu, isso são as "Coisas de Daguinha".


Dag Veloso


terça-feira, 18 de abril de 2017

Viajando com a solidão


Com o tempo você percebe que a solidão é uma boa companhia, aprende que cantar desafinado é bem legal (desde que ninguém te ouça rss), que acender as luzes em plena madrugada e agir como se fosse meio dia só e possível sozinha e que sua melhor e mais leal companhia é você mesma.
E no som do silêncio você se percebe feliz, não precisar ouvir lamentações de ninguém e também não tem quem te contrarie, se quiser chorar não haverá ninguém pra te pedir que pare, se quiser rir pode gargalhar em qualquer volume ou horário.
Na verdade a solidão realmente é uma ótima companheira de viagem, como já disse Nizan Guanaes. Embora ele também completou dizendo que a mesma não seria boa conselheira mas depois de tantas coisas que passamos durante a vida, creio que podemos dispensar os conselhos.
Eu sempre vivi muito bem sozinha mas sinto falta de família, do porto seguro, alguém pra quem voltar no fim do dia ou pra eu esperar, talvez pra voltarmos juntos, até.
Mas não se pode ter tudo, acho que o fato de eu gostar da minha própria companhia já me dá vantagens extras sobre as outras pessoas, não é mesmo?
No fim, continuo minha viagem, olhando a paisagem, admirando as crianças e os bichos, olhando os casais de mãos dadas, tirando fotos e também escrevendo sobre as pedras.

Dag Veloso


domingo, 9 de abril de 2017

Victor

O placar marcava 2X2 quando numa breve e íntima oração pedi à Deus que lhes desse a vitória e instantaneamente a resposta veio e foi ao olhar meu sobrinho jogando com tanta garra que entendi que o resultado exposto num placar não determinaria a vitória pois a vitória já está com ele, aliás a vitória pertence à ele desde sua essência até seu nome: Victor.
Comecei a chorar de emoção ao ver algo tão claro.
Me vi ali, milagrosamente, assistindo a um jogo de meu sobrinho depois de ter sido condenada a morte tantas vezes por médicos pessimistas.
Aí está a vitória, participar de mais um momento do meu sobrinho, isso é que chamo de vitória.
O placar... Bem, o placar foi de 6X2 para o time do meu sobrinho mas foi antes do final do jogo que entendi qual era a verdadeira vitória; estar ali, estarmos ali.
Obrigada Senhor, por mais esse momento de vida pois por milagre estou aqui e à Ti seja toda glória pela minha vida.

Dag Veloso

Victor é um dos meus maiores presentes, é parte da coroa 
da minha vitória.




sábado, 25 de março de 2017

Encontros de vida

Estava pensando em como a vida é estranha.
"Hoje" (11 de março) viajei no tempo, num tempo que nunca existiu. Fiz algo que nunca fiz e que deveria ter feito há muito tempo, ficar de bobeira na praça com o namorado em plena tarde de sábado. Depois de beijos bem provocantes eu o olhei e percebi que aquilo que estava vivendo naquele momento era algo inusitado, fora da minha idade, já passei bem do tempo de viver essas coisas e só agora estou vivendo-as.
É um misto de sentimentos, eles chegam a me confundir, me fazem quase enlouquecer no meio dos pensamentos, às vezes, insanos até.
A vida é cheia de desencontros mesmo, passamos por várias pessoas e muitas não mais veremos, outras acabamos esbarrando sem sequer pensar que seria possível tal encontro, modificamos a vida das pessoas com um simples sim que nem sempre deveríamos dizê-lo.
Eu sempre me sinto responsável por envolver pessoas em minha vida, talvez seja egoísmo, talvez preocupação, talvez orgulho, depende do momento e da pessoa mas sempre penso que estou interferindo na vida de outros e não sei se positivamente.
Aprendi tanta coisa sobre a vida nos últimos anos e, não sei se infelizmente, aprendi pela dor.
Quem disse que não se pode aprender com a dor?
Eu aprendi a sorrir, aprendi a chorar, me emocionar, aprendi a olhar as pessoas, observar situações, ainda não sei esperar e nem ser contrariada, aliás, não gostar de ser contrariada veio a piorar depois da doença... risos
Sabe aquela coisa de dizer: Poxa! Já me ferrei tanto o que que essa pessoa tá me dizendo??? Nem que eu esteja errada, tem mais é que me dar razão! kkkkkkkk
Sei que as coisas não funcionam desse jeito e muitas vezes me pego brava por alguém ter sido duro comigo, brigo, esbravejo mas no fim eu sempre entendo o que preciso entender.
Eita! Estou com tanto sono mas as palavras começaram a brincar na minha cabeça e não deu pra eu ficar lá deitada, não.
Estou aqui de novo colocando meus jogos de palavras no blog.
Hoje as palavras são: Desencontros, interferência, essas são as principais porque, na verdade, as palavras dançam na minha mente, se encontram com muita facilidade e se desencontram da mesma maneira, é uma doce imaginação, sutil insanidade, total paixão pela letra.
Eu amo tanto viver!

Dag Veloso


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Pai e filha


E hoje você acordou e pensou no filho que não teve, na idade que poderia ter, a índole, a personalidade, pensou em motivos que te deixariam orgulhosa dele, aí seu pensamento passou por motivos que poderiam te envergonhar ou talvez ele se tornar aquela pessoa que não faz diferença se existe ou não no mundo.
Então você parou e pensou no fato de seu próprio pai não te querer por perto e tentou se ver nas opções de que pode ser um desastre como filha, como pessoa ou, simplesmente, nem fazer diferença alguma.
E chegou a conclusão de que preferia nunca ter nascido a ser tão insignificante pra sua própria família.
Mas após o marejar das lágrimas se lembrou que Jesus era repudiado por sua pátria, nunca fora aceito pelo seu povo, foi desprezado e mesmo assim, como um cordeiro mudo, continuou sua missão.
Eu sei que dói, dói demais, até pelo fato de que você não consegue deixar de amar e se importar, a saudade te sufoca e tudo que queria ouvir é, "Filha, eu te amo" ou talvez; "Você faz diferença na minha vida e não é um desgosto pra mim" ou poderia ser só um "oi".
Sim, só um oi já te faria derreter em prantos de emoção.
Mas não se esqueça que Jesus provou de todos os nossos sentimentos numa intensidade fora do comum e se o seu pai te deu as costas, Jesus é o Pai, o Amigo verdadeiro que deu sua própria vida por ti e Ele jamais te deixará.
Então pare de chorar e vá estudar.
Vá viver.
Vá viver, Dag Veloso!

Pois há propósito em tudo que vivemos. Creia, Confie. O tempo ainda não se findou.


domingo, 30 de outubro de 2016

Boneca de sonhos

Boneca de sonhos, caixinha de surpresa, intensa, insana, descontrolada, feliz...
Foi a vida quem lhe conduzira por caminhos inimagináveis,
Dançando com a vida, entre encontros adiados e desencontros acertados.
A vida determinou o que ela pensava dominar.
E a vida passou, o tempo se esgotou, o viço a deixou mas o sonho não se findou.
Boneca de sonhos, alma de menina, esperança infinita, ilusão desiludida.
Foi sim, a própria vida que a transformou.
Coração magoado, rasgado, dilacerado, dolorido porém cheia de sonhos.
E com olhos brilhantes e vivos, eis então a boneca de sonhos.

Dag Veloso






sábado, 6 de agosto de 2016

Um cantinho no mundo

Cada pessoa tem seu lugar no mundo.
Ainda não descobri o meu.
No momento fico feliz em ver as pessoas felizes, se posso ajudar me sinto cumprindo uma missão.
Passei a vida buscando me encaixar em grupos ou família, no fim mesmo acompanhada eu me sinto sozinha.
Mas não acho que seja ruim.
Bom, antes eu pensava ser isso algum tipo de maldição (rss), hoje percebo que preciso buscar mais de Deus pra que onde eu passar deixe uma benção.
Relutei muito pra não ficar sozinha mas eu nasci pra uma missão que me faltava apenas aceitar pra ficar em paz.
Por anos coloquei a culpa no mieloma e não que eu não tenha perdido pessoas e coisas por causa dele mas hoje entendo que tudo o que perdi não era meu e que a doença foi apenas uma prova de fogo onde permaneceriam somente os que realmente deveriam estar comigo.
Não sei até quando viverei mas sei que o que eu puder fazer pra realizar a felicidade alheia, eu farei. Sendo a felicidade das pessoas que cruzam meu caminho também a minha, com certeza.
Mas se for possível um pedido; poderia cessar as dores, por favor?!


Dag Veloso

Banalizando o amor


Certa vez me disse alguém que eu banalizava o amor por me declarar às pessoas com tanta facilidade.
Bom, se sou responsável por isso então palmas pra mim... Êêêêêêêêêêêê uhuuuul... 😁
Num mundo onde palavras e sentimentos de ódio e rancor, palavrões e tanto negativismo às vezes até sem razão de ser, impera pelo simples fato de ser banal eu prefiro declarar meu amor e carinho.
Meus amigos mais próximos sempre se despedem de mim dizendo o quanto me amam e também percebo essa troca de amor e carinho com pessoas que só conheço pela internet.
Eu acho lindo.
Mas se você acha tolo o problema não é meu, ou seja, não tô nem aí...😂
Amo vocês, meus amigos.


Dag Veloso



Passando pela vida

Me arrumando pra sair, fiquei pensando em como envelheci nos últimos 3 anos.
Nas fotos já aparecem alguns sinais que antes não via.
Pensei no quão chato é envelhecer e ver a cada dia o viço da juventude se acabar.
Mas do que posso reclamar?
Sinal este de que estou viva, que minhas lutas com quimioterapias, radioterapias e transplantes não foram em vão.
Foi o que pedi e isto tenho recebido.
Onze anos se passaram e cá estou tirando selfies...
Obrigada Senhor. 


Dag Veloso


Seguindo solitária


"A Arca de Noé então é um absurdo sem fim..."
As pessoas desfazem do que a gente crê porque confiam em filósofos que daqui mil anos terão seus livros questionados por sua veracidade, desconfiando de sua edição, reedição etc.
Assim também desconfiam e zombam daqueles que acreditam na Bíblia.
Eu tô tão cansada disso tudo.
Fico perguntando pra Deus se não tem jeito de chamar minha "senha" logo pra eu subir, porque as pessoas sempre se ofendem com nossas opiniões mas não percebem o quanto ofendem com as delas.
"Eu fui injustiçado"
Ui.
Às vezes é melhor dar razão pro outro do que discutir pra eleger nossa própria razão porque no fim ninguém a tem.
Só sei que assim como com todo ser humano dói que desfaçam daquilo que amam e crêem também em mim sangra o coração.
E eu sigo minha vida, ainda sem quem creia como eu, ou seja, sem quem partilhe das minhas crenças, neuras e até das bobagens porque minhas experiências me levaram a crer que ninguém é o centro da vida de ninguém apesar de eu já ter feito de quem não valia um tostão ser o centro de mim mesma.
Hoje entendo que realmente um casal tem que se tornar um ou nunca será um casal, sendo assim, devem chegar à conclusões indiscutíveis, sederem até tornarem suas ideias e mentes únicas ou passarão suas vidas disputando razões sem razão alguma.
Eu já me irritei, já falei, já se irritaram comigo e também me falaram o que pensavam e hoje me vejo só.
Onde foi que errei?
Pois é, concluí que ao ser "maleável" (não tanto como me digo ser) eu me misturei com todo tipo de ser humano e convivo com tantas pessoas diferentes de mim mas não me atinei de que enquanto todos partilham com seus grupos as suas ideias sincronizadas eu me afastei do meu e me vi ridicularizada e meio que rejeitada pelo meu modo de pensar.
Eu não pretendo deixar de conviver com as pessoas que amo, mesmo os que pensam diferente de mim, mas tá na minha hora de voltar pro meu grupo.
A cada pedrada me sinto mais firme de que Deus precisa de uma posição da minha parte e enquanto eu não me decidir por Ele, independente de eu gritar ao mundo que sou dEle jamais serei digna do amor dEle.
E se eu não acreditar que Jesus nasceu em Belém assim como foi dito pelo profeta, eu realmente não tenho motivo algum pra continuar vivendo.
Eu peço apenas que não tentem me mudar, se não gostam do que sou, do que creio, mesmo os meus amados, vou entender e preferir que se afastem.
E de coração partido eu desejo uma boa noite à todos.
Dag Veloso

terça-feira, 28 de junho de 2016

Eu sou mais eu

Eu poderia ter o homem que eu quisesse e sabe porque não tenho?
Porque não quero.
Me descobri um espírito livre, cheia de alegria e muito bem acompanhada por minha pessoa.
Eu não preciso de homem pra ser feliz, nem de companhia pra não me sentir solitária.
O tempo mostrou que a solidão acompanhada é pior que viver conversando com o espelho e pra ser sincera sou amante da minha própria alegria, dos meus pensamentos e me basto.
Eis o motivo pelo qual não quero você.

Dag Veloso

Meu circo

Perdi o sono pensando no meu circo, ops, minha vida...kkk
Eu às vezes meio que assisto minhas memórias e caio na risada.
Hoje, por exemplo, minha ex sogra, a Tereza, mãe do Fred, veio buscar a Lisa pra dormir com eles. Uma amiga do Fred estava junto e perguntou: "Mas de quem é a cachorra?". Tereza e eu rimos e então explicamos que Lisa está sob guarda compartilhada...kkkkk
Estava lembrando a expressão da moça e ri sozinha.
Na verdade é tudo muito louco na minha vida. O Fred já está namorando sério com outra pessoa e depois de dois anos e meio que nos separamos agora entendem ou aceitam que nos separamos de verdade e que ele se tornou um dos meus melhores amigos e "pai" da minha "filha"..rss
Mas pensa numa família que você gostaria de fazer parte.
Pensou?
Agora multiplica por 7 e você vai entender o que sinto pela família do Fred.
Não são perfeitos mas são os melhores, principalmente a Tereza, minha amiga e "irmãe", a melhor sogra e agora ex sogra do mundo, justa, inteligente, sábia, honesta e de uma beleza reluzente, uma alma bondosa e grandiosa.
E também tem meu amor de ex sogro, o Chico, uma figurinha, um tesouro, um amigo, foi amor à primeira vista, o cara complicado que não entendo porém preenche minha vida de alegria com suas brincadeiras nada convencionais...rsss
E nem falei do tiozinho Zé e faltou o Ricardo e a Erika, meus irmãozinhos amados.
A minha vida é um circo porque coleciono situações em que seres humanos comuns nem sonham viver.
Isso tudo faz da minha vida totalmente especial e não a trocaria pela vida de ninguém, por melhor que fosse.
Muitas pessoas passaram por minha vida, algumas já estavam lá quando nasci, várias se foram, de outras me retirei e não é que deixaram de estar em minhas recordações mas apenas não fazem parte do momento.
Mas admito que minha vida mudou muito nos últimos anos, não sei dizer com precisão pra quanto de melhor ou pior mas cada um que entrou ou passou por minha vida me deixou mais rica.
É uma palhaçada como vivo mas é a minha maneira de ser feliz e está dando certo.
Que venham muitas novas pessoas do bem, usadas por Deus ou que contem comigo como uma serva de Deus pra lhes ajudar.
Sejam benvindos...

Dag Veloso

sábado, 28 de maio de 2016

Encontro acidental

Foi um encontro totalmente "acidental".
Um email bonito e um momento em que precisava daquelas belas e certeiras palavras.
Destinos que se cruzaram "sem querer", um encontro que mudou nossas vidas.
Se tornou uma linda e perigosa amizade onde tivemos que nos afastar pra não ferir a santidade de Deus.
Mas sinto sua falta.
Como sinto!!!!
Sua inteligência, calma e tranquilidade, nossas longas conversas, assuntos tão diversos, risadas naturais e espontâneas.
Sinto falta da sua presença protetora, segurança que me passava só de estar presente.
Eu sinto muito ter estragado tudo quando senti mais do que amizade e os anos passaram mas o sentimento ainda me confunde..
Hoje a saudade está imensa.
Fico pensando onde você está nesse momento, se está bem, seguro e feliz.
Ah meu anjo, homem com olhar de menino pidão, que Deus te cuide.
Amo você.

Dag Veloso

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Foram os atalhos

Tantas pessoas me dirigem lindas palavras pra expressar a grande admiração por eu ser isso e aquilo mas poucas sabem como realmente me sinto.
Sozinha, despreparada pra vida, indefesa, tentando lutar pra sobreviver no meio da humanidade desumana que existe até mesmo em ambiente familiar.
É tão simples acharem que sou corajosa só porque me interno sozinha em outra cidade, que mesmo tomando quimioterapia consiga viver só, que eu me cuide mesmo tendo dores e sorria mesmo diagnosticada com MM.... Mas depois que me elogiam cada um pega sua família e volta pra casa, mesmo tendo seus problemas conseguem repousar na segurança de suas saúdes, profissões ou empregos estáveis, talvez um marido provedor, enfim é como se os elogios fossem desculpas inconscientes pra poderem me dar as costas e dormirem em paz ou uma explicação pra eu me conformar com o fardo.
Não que as pessoas precisem se desculpar por eu ter ficado doente, perdido meu casamento, não poder ter filhos, não conseguir confiar mais nos homens, etc etc..
Mas depois de um tempo você começa a entender que já não sabe amar, se protege afastando quem se aproxima pra não correr riscos e percebe que sozinha até mesmo quem jamais imaginaria é capaz de querer tirar proveito.
Pois é; você corta as asas de um pássaro durante anos e no dia que esquece de cortá-las ele voa direto pra boca de um gato.
De repente me sinto assim, voando e me debatendo pra não ser pega por nenhum felino mal intencionado.
E aprendi que não existe primo, tio ou amigo que não seja tão capaz de tirar proveito de uma mulher só tanto quanto um e talvez até mais que um desconhecido.
Eu vivi anos dependendo dos meus pais, saí de casa pra depender de um marido e tive que aprender a me cuidar sozinha.
Coloquei muita gente pra correr da minha vida, algumas só dei as costas sem nem dizer nada (nem valia uma palavra), outras eu guardei na caixinha da saudade e apesar de não ter contato não deixei de amar.
Mas ainda não entendi nada.
Pois continuo me sentindo desamparada e não importa quantas pessoas ainda convivam comigo, ainda me sinto incompleta.
Muitos equívocos, vivi me enganando durante anos com uma vida de faz de conta e quando enfim a estória terminou me vi assim.
São os atalhos?
Cuidado com os atalhos, cuidado com as caronas.

Dag Veloso



sexta-feira, 8 de abril de 2016

Letras

Aconteceu o inesperado.
Por anos me abri, falei o que sentia sem qualquer pudor, me expus, pedi socorro, chorei, também ri e ouvi críticas (isoladas) de que não deveria confiar tanto.
Eu sempre fui sincera, paguei o preço de declarar minhas verdades, embora ciente de que somos falhos e nossas verdades nem sempre as são para os outros e vice-versa.
Porém nas últimas semanas me percebo sem vontade, sem coragem, sem confiança.
Perdi a confiança de escrever, não quero mais pagar preço algum, simplesmente cansei.
Eu tenho tanto a dizer mas pra quem direi?
E por que diria?
Minha vida é um amontoado de letras e elas só fazem sentido pra mim.

Dag Veloso