quarta-feira, 10 de março de 2021

Falando de dores

Há tempos não falo sobre o que vejo.
Especialmente o que vejo no hospital. 
Hoje é um daqueles dias difíceis que te faz desejar um bom banho e cama.
Mas estou aqui no meio de outros pacientes esperando ser chamada e com olhos cheios de lágrimas observando um casal. 
A mulher, talvez alguns anos mais vividos do que eu, tão magra que se vê as junções dos ossos, os cabelos ralos e pretos, pele branquinha, com olhinhos pequenos quase que cobertos por uma máscara hospitalar dura e impessoal.
Ele havia entrado primeiro e foi ao guichê perguntar algo pra em seguida buscá-la, quase que a carregando. Sentou-se de frente pra ela enquanto aguardavam sua vez.
Cuidadosamente a levou para a sala ao ser chamada e ela andava lentamente, como quando adoeci anos atrás. 
Não consegui suportar minha dor, minha tristeza e então chorei.
Mas não foi por ela ou por ele, foi por mim.
Porque eu só precisava entender o porquê fui abandonada em situação semelhante por quem deveria cuidar de mim como esse esposo faz.
Talvez isso pareça uma lamentação tola e sem sentido após tantos anos.
E os sentimentos são muito conflitantes dentro de mim porque eu entendo a fraqueza dele, consigo me colocar no lugar dele mas estando no meu lugar não consigo aceitar tamanho desamor, desrespeito e crueldade.
E enquanto observo me pergunto se eu seria capaz de abandonar da forma mais covarde (sem abandonar literalmente pra não enfrentar toda uma família e sociedade) alguém a quem prometi amar.
Eu tenho passado anos procurando meus defeitos e erros pra justificar e explicar o que me foi feito mas, com muita sinceridade, eu não encontro motivo que explique por mais erros que eu tenha cometido. 
Deus sabe que nem mesmo o mieloma me destruiu tanto quanto ele me destruiu. 
E eu tô cansada de me culpar, de justificar, de ponderar...
Eu tô cansada de conviver com deslealdade e traição, até mesmo familiar.
Eu tô cansada da lembrança dele e de quem me traz essa lembrança.
Cheguei no meu limite.
Não vou mais justificar e menos ainda carregar culpas que não são minhas.
Eu sei o que é amor e não é nada do que eu vivi até hoje e chega de ficar escondendo o que realmente sinto. 
Me destruíram, sim. E não há justificativa e nem explicação pra o que me foi feito. 
Dag

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Um pedacinho perdido

Onde ficou aquela menina cheia de sonhos e brincalhona, que ouvia ABBA em alto som com apenas 7 anos de idade?
Senti saudade de mim porque não sei onde estou.
É que meus caminhos me trouxeram pra longe de quem realmente sou e eu já não sei mais quem sou.
Não, essa não sou eu, essa definitivamente não sou eu.
Eu me perdi há muito tempo nos braços do tempo, nas mãos das más escolhas, minha vida deixou de ser minha quando perdi a inocência. 
Encontrei uma playlist do LP ''The Visitors'' de ABBA no Youtube e coloquei o fone de ouvido o som mais alto, fechei meus olhos e lá estava eu, com 8 anos ouvindo meu disco preferido em todo o mundo.
Cada música mexeu com um pedacinho do meu ser e então pude me reconhecer e eis que aqui estou.
Uma menina inocente, cheia de vida...
Eu tinha medo do desconhecido, medo de ficar sozinha, medo de ficar longe da minha família.
LONGE DA MINHA FAMÍLIA.... LONGE... LONGE... LONGE...
E então percebi que eu era apenas um pedacinho, como uma célula ou um órgão e tudo que eu era não fazia parte somente de mim. 
Os caminhos que escolhi me fizeram perder partes importantes que me faziam ser aquela menina e ela ficou partida em pedaços e não tem recuperação pois o tempo já desgastou os encaixes.
Eu sinto falta de mim como um pedacinho, sinto falta das outras peças, sinto falta de quem éramos. 
Hoje não tenho identidade, não sei onde me encaixo, não sei de onde venho nem pra onde vou, eu apenas estou aqui e nem mesmo sei o que estou fazendo ou o motivo de ainda estar aqui.


I LET THE MUSIC SPEAK 

Dag Veloso



quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Um pouco menos do que merece


Com a idade também chega a maturidade e então você se vê entre escolher um pouco menos do que merece ou tudo que realmente merece.
Já não se contenta em ser um momento isolado porque você é muito mais que um dia de verão, você é dia-a-dia, é semana, mês e ano inteiro.
Já não se contenta com a mensagem particular, quer a declaração pública de carinho.
Sente repulsa quando alguém manifesta desejo por você conhecendo que a intenção é meramente pelo momento.
É, eu não concordo em viver momentos isolados só porque na vida da pessoa não tem lugar pra mim ou porque sou amada mas nem tanto assim.
Não preciso de restos.
Você precisa?
Não aceite menos do que você merece.
Melhor estar só se valorizando e respeitando do que acompanhada de quem nem sabe o que quer com você.
Dag Veloso

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Pensamentos noturnos

"E aí, vc engordou?"
Uma pessoa que te pergunta isso certamente não te ama.
Pode até gostar de você pelo seu jeito de ver a vida, de cuidar das pessoas ou por ser especial. Talvez veja suas qualidades e faça diferença você ter cativado a família dele (a) mas se o superficial faz muita diferença não é amor.
Eu nunca fui alta mas nem baixa, tinha 1,69 e sempre andava de salto alto. Era magra e me vestia razoavelmente bem mas não chegava a ser patricinha (eu acho!), sempre tive um Q de simplicidade independente do que vestisse, o que pra mim era frustrante hehehe....
Hoje tenho 1,62 e quase não uso salto. Na época quem vivia comigo não me aceitava pequena e por um tempo eu pesquisei sobre voltar ao meu tamanho original.
Fiz algumas coisas que poderiam ter me prejudicado, eu passei meses me odiando por não ser como antes.
Ele foi muito direto sobre seu desprezo por mim com a nova estatura. Eu ainda consegui alguns centímetros e a fisioterapeuta me alertou que mais alta seria impossível ficar sem uma cirurgia, o que eu não poderia fazer devido a osteólise (fragilidade dos ossos).
Engraçado (ironia)!
Passei 16 anos me moldando à vontade alheia; é o que a gente chama, inocentemente, de ficar bonita pra quem ama e me lembro que eu sempre dizia pra ele se vestir como se sentisse melhor e quando ele dizia que havia engordado eu o abraçava e dizia que o amava de qualquer jeito.
E era verdade mesmo. Eu o amava de qualquer jeito e em qualquer situação.
Mas é que eu não vejo muito esse negócio de aparência, vejo a pessoa, eu não olhei a "carteira" porque poderia e tive oportunidade de estar com gente melhor posicionada na vida, mas eu realmente cria que o amor era o mais importante.
Eu era romântica, li-te-ral-men-te romântica.
É certo que naquela época eu não via a pessoa como era de verdade, eu via a ilusão, o sonho e só o conheci quando abri os olhos diante dos problemas, foi quando parei de ver o conto de fadas; quando meu amor foi destruído.
Hoje eu reparo em como a pessoa trata quem a rodeia, se cuida de verdade da família ou se é só dependência, se defende os irmãos ou se é um traíra, se é honesto, limpo, se em vez de jogar o palito e papel do sorvete no chão segura tudo até achar um lixo, se me espera porque ando devagar, reparo como a pessoa me olha, reparo no olhar, no jeito de segurar as mãos, se é do tipo que segura ou só junta as mãos e pronto kkk
Me importa se a pessoa sabe qual minha cor ou minha comida preferida e se sabe quantos textos tem no meu blog...
Eu não ligo pra cor da pele... bom, na verdade até ligo.... quanto mais moreno mais me chama atenção. 😂
Mas brincadeiras à parte, eu não me prendo à questão da aparência porque ela acaba.
Em poucos meses perdi 12 centímetros, fiquei careca, inchada, perdi algumas unhas, mas ainda era eu ali, cheia de amor e sonhos, sentimentos à flor da pele como sempre.
Ainda era eu... mas eu não fui vista.
Hoje uma pessoa que me pergunta sobre meu físico não tem futuro nenhum comigo, até pq como eu sempre digo, sou uma camaleoa, às vezes bela, às vezes feia mas sempre eu.
Nunca aceitem que te moldem, se vc é gordinha(o) e outra pessoa já quer te mudar (a não ser que te incentive por questões de saúde), manda "catar" coquinho na descida ou nascer de novo pra ver se o ser fica parecido (a) com o galã/estrela de cinema que vc gosta 😂😂😂😂😂
Eu acho o cúmulo passar por certas coisas, o carinha logo ali nunca conversa e na primeira vez que o faz pergunta se é magra. Bom, pode até ser que o cara seja fitness, tenha os braços fortes e mostre isso já na foto do perfil mas se o bicho adoece não sobra nada pq de rosto parece o cão, escreve mal, não tem conteúdo nenhum e não quer uma mulher, quer um robô.
Ele mesmo nem sabe disso, coitado!
As pessoas não sabem disso, tanto os homens quanto as mulheres querem robôs, tudo sempre em dia, magreza é tudo pra ambos, não importa se a alma é boa pq a vida é curta e ninguém apresenta a alma num grupo de amigos, né?
Meu coração tá vazio sobre isso porque me tornei uma romântica teórica, eu só sei escrever sobre o assunto. Na prática eu vejo como as pessoas são, leio nas entrelinhas e dificilmente me enganam. E não me convence quando me chamam de princesa ou gata porque já fui chamada assim por pessoas que depois de uma negativa me chamaram de chata e daí pra pior 😂😂😂😂
Mas é que não sou um robô, não fui criada numa fábrica e não sou obrigada a agir como as pessoas agem.
Sinto muito pelas pessoas que se importam com a altura, com o peso, o tamanho do cabelo...
Mas eu sinto muito mais por vc (e por mim) que se constrange diante de pessoas assim, porque nosso valor não está na beleza, nem na altura ou cor. E eu sei que quase ninguém vê dessa forma mas saiba que mesmo que ninguém note a diferença, devemos continuar nos valorizando mesmo que pareça sem sentido. Devemos perseverar pra não nos tornarmos como eles que mais parecem fabricados em série numa "fabriqueta" ali da esquina... 
Seja você, não se aprisione, não passe a vida acorrentada (o) à parâmetros que os outros impõem.
Eu ainda luto pra não sucumbir à tudo isso porque vivi uma escravidão pela maior parte da minha vida e é difícil quando se percebe que a maioria das pessoas agem da mesma forma.

Divagando apenas! 🙄

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Irmã

A vida me deu muitas irmãs e sou muito grata à Deus por isso.
Sonia é uma dessas irmãs que nem a distância diminui o amor.
Eu a conheci pelo facebook em meados de março de 2012, fomos apresentadas via face pelo nosso amigo irmão Alaor que também conheci por aqui.
Quem me acompanha desde aquela época talvez lembre de quando enfrentei problemas no hospital em que tratava.
Alaor tinha um programa de rádio e vinha acompanhando minha situação, leu minha história no blog e divulgava no programa dele... Era um programa muito bem elaborado com músicas de muito bom gosto, a Rede Vitrola.
Bem, mas voltando à minha irmãzinha; começamos a conversar muito, naquela época ainda era msn e foi bem no mês seguinte que numa discussão com o médico me dei alta ( coisas de Daguinha).
Eu não sabia que Alaor e Sonia se falavam a respeito de tudo que me ocorria a ponto de me ajudarem.
Em abril no meio de toda minha angústia Sonia me convidou pra ir à São Paulo conhecê-la e fui.
Levei uma mala de aquariana pra um final de semana mas quando lá cheguei Sonia me disse que eu só voltaria pra casa qdo encontrássemos um hospital que me atendesse.
Fiquei o mês todo na casa dela. Batemos em alguns hospitais mas eu não tinha encaminhamento e nunca quiseram me dar, por conta disso os hospitais fechavam as portas pra mim...
Foi quando Alaor teve a ideia de marcar consulta com algum especialista pra que ele me encaminhasse à algum hospital.
Fizeram uma campanha e arrecadaram o valor da consulta com Dr Carlos Elias Fristache.
Um médico maravilhoso! Me atendeu com muito carinho e foi o responsável por me colocar na Santa Casa de São Paulo, o melhor hospital que já passei se não fosse a má situação financeira em que se encontra.
Hoje foi um dia difícil pra mim, semana de hospital, ansiedade, alguns problemas extras que sempre aparecem e eu tava chorona, mas aí me veio a Sonia na lembrança e relembrei esse trecho da nossa história, uma caminhada que não fiz sozinha e não deu... chorei mais ainda 
A minha gratidão por você e o Alaor é eterna, eu nunca conseguirei pagar o que fizeram por mim de valioso que foi e mesmo distantes vocês ainda fazem minha vida ter sentido quando lembro todo amor e carinho com que me trataram.
Eu não teria conseguido sem vocês.
Sonia, você é a mulher mais incrível que conheço, colocou uma estranha no seu lar, acreditou em mim e lutou comigo. E foram tantas histórias...
Eu amo tanto você que até dói o coração.
Saudade imensa. ❤
Dag Veloso

Ela não tem culpa

30 de agosto, esperava pela consulta quando de repente uma mulher grita:
_"Eu tô com câncer, vou morrer, como pode dizer que vou ficar bem?"
Todos ficaram quietos ao ver a cena.
A acompanhante diz:
_"Ela (a enfermeira) não tem culpa, fica calma."
A mulher, então, joga com fúria a bolsa que segurava nas mãos sobre uma cadeira fazendo um barulho que assustou todos ali já em silêncio, inclusive a mim.
A enfermeira com toda paciência do mundo acariciando o braço da mulher diz que ela tem razão mas que precisa se acalmar.
Fiquei paralisada e com vontade de chorar.
Pensei em ir até ela e dizer que câncer não é mais uma sentença de morte mas, sim, um motivo de luta constante.
Não dá pra ter preguiça e deixar de lutar um dia pra descansar, todo dia você precisa lutar contra aquilo que tenta te destruir e que, infelizmente, está dentro de você.
Porém eu não fiz nada, só fiquei ali paralisada.
Porque talvez eu esteja com raiva assim como ela.
Talvez me falte gritar, socar um travesseiro, colocar a culpa no mundo e tudo o que eu não fiz mas assisti outros fazerem.
Passei por muitas coisas sorrindo e cheia de tranquilidade mas meu sorriso já não está escancarado como antes e minha dor não se limita apenas aos ossos, já atinge a alma...
Eu só queria não ver mais toda essa dor. 
Dag Veloso


sábado, 27 de maio de 2017

Um café e um sorriso

E de uma menina cheia de sonhos e ilusões, muito romântica nasceu uma mulher prática, sem romantismo algum, já machucada pelas farpas da vida.
No entanto o amor renasce em seu coração.
Foi um café o responsável.
O café e um sorriso.
E tudo se transformou.
Então renasceu uma nova mulher, cheia de sonhos e com o romantismo a lhe enfeitar a vista.
E a vida é a responsável por esta paixão.
Aceita um café?

Dag Veloso