terça-feira, 3 de maio de 2011

De joelhos, sim!



Em 2005 quando descobri a doença, todos os meus amigos e, especialmente, irmãos da igreja, ou melhor, das igrejas, porque foram tantas a me apoiar que não poderia apontar somente uma... bom, todas essas pessoas maravilhosas e usada por Deus, sabendo da minha paixão por músicas evangélicas passaram a me enviar cd's de todo tipo e ganhei 4 cd's gravados de uma cantata realizada numa igreja Batista que muito me emocionou e acompanhou meus momentos difíceis tornando-os mais fáceis de seguir. 
Essa música é uma delas, uma das lindas músicas que acalentaram meu ser enquanto passava pelo vale. 
Desejo que todas as pessoas tenham o grande privilégio que eu sempre tive, o de passar pelo vale com uma enorme multidão de intercessores e espectadores que me aplaudiam a cada passo dado. 




Não é fácil aprender a ser grata a todo momento, mesmo após momentos de grande tribulação nós conseguimos vacilar muitas outras vezes. 
Mas admito ser diferente dos outros, porque ouço muito as pessoas dizerem que ficam mais fiéis à Deus quando tudo está bem, comigo funciona um pouco diferente, costumo prestar mais atenção nEle quando preciso dEle, costumo sentir sua presença quando estou me sentindo só... 
Mas aprenda que louvar ao Senhor em dias bons ou maus é da mesma maneira satisfatório, da mesma maneira delicioso.
E não pense que será sempre fácil, mas pense que não importa como seja, importa, sim, que Deus estará com você a todo momento. 
Jesus é a minha saúde, Jesus é a minha vida, Jesus é o ar que eu respiro.
Jesus é tudo pra mim.
Não importa se sua vida está indo mau, se Jesus for sua vida então está indo tudo bem. 
Não importa se sua saúde está péssima, Jesus é a saúde perfeita, é o bálsamo verdadeiro. 
Não importa se você já não tem saída pra seus problemas, Jesus é a solução pra tudo. 
Jesus é o ar que nos envolve, sinta-O.




Dag Veloso

sábado, 30 de abril de 2011

Ai!

O choro da criança parou e nem consegui saber de onde vinha mas um longo AI! saiu de uma sala de quimio terapia e não foi possível identificar se o gemido vinha de um homem ou mulher. A voz que expressava toda aquela dor estava rouca. 
Qual a dor dessa pessoa?
Eu não sei, nem sequer posso vê-la de onde estou mas sei que essa expressão é bastante usada e ouvida por aqui e nunca sai do mesmo jeito. 
A palavra é a mesma mas a dor que ela denota nunca.


Na pré-consulta estava na sala um casal idoso, ela de pé e ele sentado. O senhor muito magro mas bem cuidado estava com falta de ar mas mesmo assim de vez enquando se levantava com dificuldade e dava uma meia dúzia de passos e voltando se sentava de novo. 
Ao terminar o atendimento Cássia, a enfermeira, avisou que traria uma cadeira de rodas pra que ele fosse levado ao consultório, antes mesmo de sair a senhora negou e disse que ele não aceitava a cadeira de rodas.
Aquele senhor ganhou minha admiração. Tão frágil e tão determinado. 


Ainda outro gemido de dor, outro Ai, agora identifico ser de um homem. Sua agonia me reporta ao tempo em que eu sofria sem pronunciar ou gemer e por nem sempre ser isso algo possível, posso imaginar alguma dor dele. 


Dag Veloso

sexta-feira, 29 de abril de 2011

No hospital

Sozinha outra vez...
A espera da consulta me encontro novamente sozinha. 
Isso é um problema?
Não, não é.
Estar só costuma ser de grande proveito pra minha vida, especialmente nesses momentos.
Alguém pode dizer que isso contradiz o que antes escrevi neste mesmo blog mas explico que mesmo sentindo falta de ter alguém com quem compartilhar meus medos, minhas lutas, vitórias, estar só me dá liberdade de ir e vir e me permite olhar além de meu mundo pessoal. Se eu estivesse acompanhada agora, provavelmente estaria me sentindo protegida, ou seja, me colocando na posição de desprotegida, frágil, essas coisas que em minha vida nunca dão certo. 
Minha postura ideal é de batalhadora, guerreira... 
Ops! Presunçosa, né?
Pode ser que sim mas já nem sei se consigo ser ou parecer frágil. 
Se estamos só não há quem influencie decisões, certeiras ou não, elas são somente nossas e arcamos com as conseqüências pelos nossos próprios erros. 
Algumas pessoas andaram especulando meus sentimentos após algumas mensagens aqui postadas, encontram sinais onde existem mesmo, porque amo tudo quanto existe ao meu redor, sou apaixonada pela vida, sim, por tudo que me cerca, mas acabam interpretando errado porque os unicos sinais que realmente devem ser considerados são os de Deus. 
Analisar uma pessoa pelo que ela é ou faz não é garantia alguma de que esteja fazendo a coisa certa, só esperar a hora e a vontade de Deus é que é seguro. 
Eu conheci uma pessoa quando eu tinha somente 16 anos de idade, ele era muito inteligente, bom orador, tinha uma profissão segura, de boa família, parecia ser o cara certo. Infelizmente eu o avaliei pelo que podia notar a olhos nús e pelos meus próprios sentimentos. Fazer as coisas sem orientação de Deus nunca dá certo. É como na pregação que ouvi hoje na igreja, quando eu fiz de tudo e lutei com minhas próprias forças não venci, porque não era o momento, quando Deus nos manda atacar e lutar então, sim, vencemos.
O que quero dizer é: Não tente ler sinais nos outros, saiba ouvir a voz de Deus, ver os sinais que Ele dá. 
Deus tem o melhor pra cada um que souber obedecer sua vontade. Vale a pena!


Dag Veloso

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Diário de Dag

Mais uma página do "Diário de Dag"

"QUANDO AQUELA LONGA NOITE PASSOU E CHEGOU O DOMINGO AS DORES ESTAVAM MAIS FORTES, NÃO HAVIA UM MOMENTO DE ALÍVIO.
SENTÍA DOR NA COLUNA E COSTELAS MAS, O PIOR FOI QUANDO TENTEI ME LEVANTAR E NÃO CONSEGUÍ. HAVÍA FORÇA NOS BRAÇOS MAS ERA COMO SE NÃO HOUVESSE, TENTEI ME IMPULSIONAR COM ELES MAS ESTAVA IMÓVEL NAQUELA CAMA. MINHAS PERNAS SE MEXIAM MAS NÃO SABIA O QUE FAZER PRA QUE ELAS ME SUSTENTASSEM EM PÉ. AS ENFERMEIRAS ENTRARAM NO QUARTO E EU DISSE QUE NÃO ESTAVA CONSEGUINDO ME MEXER DIREITO E NEM ME LEVANTAR.
ELAS ME DISSERAM QUE IRÍAM ME DAR BANHO DE LEITO; UM BANHO NA CAMA.
DIFICILMENTE EU CONSIGO ESCONDER O QUE ESTOU PENSANDO OU SENTINDO E ELAS CONSEGUIRAM VER MEU ESPANTO E CONSTRANGIMENTO, PEDIRAM PRA QUE EU ESPERASSE UM POUCO E SAÍRAM DO QUARTO.
DEPOIS DE UM TEMPO ENTRARAM NO QUARTO AS ENFERMEIRAS; JÔSE, VENANCÍ, RENATA, PATRICIA, LUCIANA E PAULA, DIZENDO QUE EU AS HAVIA CATIVADO TANTO QUE ELAS SAÍRAM PRA TIRAR NO PALITO A SORTE DE ME DAR O BANHO E APENAS A PATRICIA TINHA GANHO MAS AS OUTRAS QUERIAM, PELO MENOS, AJUDAR.
FIQUEI ENCANTADA COM O CARINHO COM QUE ME TRATARAM NAQUELA MANHÃ, FOI NOVO E DIFÍCIL PASSAR POR AQUELA SITUAÇÃO, MAS A ATITUDE DELAS AMENIZOU MEU SOFRIMENTO.
MESMO ASSIM ENQUANTO DURAVA O BANHO FICAVA TRISTE MAS DEPOIS ERA BOM ME SENTIR LIMPA. TINHAM SEMPRE O CUIDADO DE PASSAR HIDRATANTE EM MINHAS COSTAS E ACHO QUE POR TODO ESSE CUIDADO NÃO TIVE FERIDAS.
A DÓRCAS ESTAVA PRESENTE NESSA MANHÃ. QUANDO CHEGOU A HORA DA VISITA COMEÇOU A APARECER NA PORTA UM A UM DOS MEUS SEGUINTES AMORES: O SILAS, MINHA MÃE, O TIO ZÉ, A TIA SUZEL, A TIA GLICÍNIA, A DAMARIS, MEU PAI, A TOSHIKO (ESPOSA DE MEU PAI), O DOUGLAS E O ABRAHAM. MEU CORAÇÃO ESTAVA FELIZ DE VÊ-LOS TODOS ALÍ, SÓ FALTAVA O ALEX.
QUANDO MEU PAI ENTROU, NÃO SE CONTEVE, CHORAVA COMO CRIANÇA, ME BEIJOU E CONTINUOU A CHORAR. O DOUGLAS SEGURAVA MINHA MÃO ESQUERDA E O ABRAHAM A DIREITA ENQUANTO EU REPETIA QUE ESTAVA BEM NA TENTATIVA DE ANIMAR MEU PAI. COMECEI A TER ESPASMOS NA COLUNA; NOS NERVOS, EU ACHO. SEMPRE QUE CHORAVA SENTIA ESSAS DORES, PARECIA REPUXAR OS NERVOS DA COLUNA. TENTEI ME ACALMAR.
A ESPOSA DE MEU PAI O TIROU DO QUARTO E MINHA MÃE SAIU ATRÁS DELES PARA CONVERSAR.
O DOUGLAS ME OLHAVA COM UMA MISTURA DE TRISTEZA E TERNURA, O ABRAHAM ESTAVA QUIETO MAS APARENTAVA NÃO SABER O QUE ESTAVA ACONTECENDO OU NÃO QUERENDO ACREDITAR NO PIOR.
CONSEGUÍ ME ACALMAR PORQUE ESTAVA FELIZ EM TÊ-LOS ALÍ COMIGO, REALMENTE SÓ FALTAVA O ALEX, QUE ME LIGOU MAIS A TARDE.


O QUE ME FEZ NÃO DESISTIR OU SIMPLESMENTE NÃO MORRER FOI SABER QUE NÃO FOI UM DOS MEUS IRMÃOS. SOU A FILHA MAIS VELHA, NÃO POSSO PERDÊ-LOS NUNCA, NÃO AGUENTARIA ISSO. E AGRADEÇO POR NÃO ESTAR EM PÉ AO LADO DA CAMA SEGURANDO A MÃO DE UM DELES.

CONVERSEI UM POUCO COM TODOS E DEPOIS DE MUITA CONVERSA E RISADAS CHEGOU A HORA DE IREM EMBORA. EU ESTAVA MUITO CANSADA MAS OS QUERIA ALÍ COMIGO.
O TIO ZÉ CHEGOU AO MEU LADO DIREITO, SEGUROU MINHA MÃO E COLOCOU SUA MÃO ESQUERDA EM MINHA CABEÇA E COMEÇOU A ORAR. NÃO LEMBRO AS PALAVRAS QUE USOU, NEM SEQUER UMA, MAS ESTRANHEI O FERVOR COM QUE ORAVA E QUANDO COMEÇOU A CHORAR EU NÃO PUDE RESISTIR, ABRI MEUS OLHOS PARA VÊ-LO, ELE ESTAVA DESCONSOLADO, FOI UM MOMENTO MUITO LINDO.
FICO IMAGINANDO COMO DEVE TER SIDO DIFÍCIL ELES SABEREM QUE EU ESTAVA MUITO DOENTE E NÃO PODEREM ME CONTAR OU FAZER ALGO PRA AJUDAR.
O QUE MAIS ME INCENTIVOU A LUTAR FORAM AS LÁGRIMAS DE CADA UM.
TALVEZ OS MÉDICOS ACHEM QUE A FAMÍLIA DEVA SE CONTROLAR E TALVEZ COM OUTRAS PESSOAS ISSO SEJA MELHOR, MAS NÃO COMIGO. TUDO DEPENDE DE COMO INTERPRETAMOS AS LÁGRIMAS.
NUNCA ACHEI QUE CHORAVAM PORQUE EU ESTAVA CONDENADA MAS SIM PORQUE NÃO QUERIAM QUE EU ESTIVESSE CONDENADA.
FOI O QUE SEMPRE ME PASSARAM COM SUAS LÁGRIMAS E ACREDITO QUE ERA O QUE SENTIAM.
BOM, O DOMINGO ESTAVA PASSANDO E FOI DIFÍCIL OS ENFERMEIROS TIRAREM TODA AQUELA GENTE DO QUARTO, NINGUÉM QUERIA IR E NEM EU QUERIA DEIXÁ-LOS IR. E MESMO QUANDO FORAM EMBORA SEMPRE APARECIAM NOVAS VISITAS QUE CONSEGUIAM ENTRAR ESCONDIDAS.
ERA MUITO DIFÍCIL FICAR ALÍ SOZINHA, ESTAVA MUITO CANSADA MAS NÃO ME INCOMODAVA COM NINGUÉM. AS PESSOAS SEMPRE ENTRAVAM TENTANDO ME TRAZER CONFORTO MAS SAIAM CONFORTADAS PELA MINHA FÉ."

Dag Veloso



quinta-feira, 21 de abril de 2011

Dói demais!

Dói demais!
Ouvi isso no meio de um gemido de uma senhora que estava numa cadeira de rodas, esperando ser atendida. 
Doeu demais meu coração ao ouvir aquilo.
Algumas senhoras a rodeavam e tentavam saber o que ela sentia e se havia algo que pudessem fazer por ela e, não me surpreendendo em nada, ela disse que não havia nada que pudessem fazer.
Segurando meu choro no meio da multidão eu me afastei um pouco e parei de escrever....


Deu pra sentir dor?








Dag Veloso



O rapaz

Percebo hoje um rapaz com uns 30 anos de idade, sem cabelo, com o soro ligado ao seu catéter, magro, frágil. Ele, com movimentos lentos se levanta quietinho com sua máscara caída ao pescoço, dobra com dificuldade a manta que o cobria, de vagar coloca na ponta de sua cama e começa a dobrar a outra. Na medida que sua força termina se esforça para terminar a tarefa de dobrar as duas mantas, então as coloca no leito ao lado. Ainda de vagar volta a se deitar segurando em sua mão direita um celular.
Atento, ele ouve as conversas e observa tudo (menos a mim que me mantinha quieta a observá-lo bem de frente). Seus olhos expressivos mostravam ao fim de uma febre; esperança. 
De repente um sorriso franco aparece em seu rosto ao ouvir os relatos dos pacientes ao lado. O rapaz estava só, vinha de longe e sua família e filhos não o viam há mais de duas semanas.
Ele estava esperando ansiosamente por uma ligação, como no outro dia quando suas crianças lhe falaram no celular, não se continha em seu choro de emoção. 
Quando se está doente não existe bobagens como machismo, podemos chorar, podemos ser verdadeiros, podemos ser seres humanos livres dos estereótipos da sociedade. 
Esse rapaz está lutando sozinho de verdade, não é como eu, porque eu tenho toda uma retaguarda aqui mesmo na cidade mas ele está longe de sua cidade e não tem com quem contar.
No outro dia ele nos disse que tinha certeza de que ficaria bom e que voltaria pra sua família, veria seus filhos de novo e poderia sustentá-los novamente. Hoje ele está visivelmente mais debilitado que da ultima vez que o vi mas sua esperança não se acabou.
Isso é lutar, na verdade, esse rapaz já é um vencedor, independente do que venha a lhe acontecer, indo ou não pra casa, ele já é um vencedor. 
Ter dignidade ao lutar nos torna bons combatentes e os bons combatentes mesmo que mortos recebem honras, porque são heróis. 
Dag Veloso

A páscoa

Eu recebi de uma amiga uma matéria muito interessante do que é a páscoa, o intuito dela era de que eu pesquisasse sobre isso usando aquele texto como um começo - embora não necessitasse muito pra acrescentar lá - e assim postar aqui no blog.
Essa semana foi corrida e não tive tempo de fazer isso e hoje eu estava no meu orkut pra responder e apagar os recados e percebi o monte de coelhos que me mandaram... rs
Não tenho nada contra os coelhos, eles são até bem fofinhos e meigos, e nessa época eles vêm com ovinhos de páscoa, ou melhor, de chocolate... Que coisa mais linda!
Não acho nada lindo desmerecer a pessoa de Cristo que morreu e ressuscitou por toda a humanidade. No lugar de se pensar em Cristo, de se referir à Ele, exaltamos um coelho.
Que inversão de valores, não é à toa que o mundo vai de mau a pior, afinal as pessoas trocam Jesus por coelho, Jesus por papai-noel... isso é ofensivo demais. 
Eu acho que todos têm noção, no mínimo noção, do que é a páscoa e não é necessário que tornem essa data uma data triste, porque devemos, sim, comemorar o fato de Deus ter-nos dado liberdade através do seu próprio Filho mas, daí a inventar tolices pra tirar a visão das pessoas do que realmente importa, isso pra mim não dá pra aceitar. 
Você já fez algo pra alguém e essa pessoa de repente deu todo o crédito do que fez pra outro?
Imagina se você tivesse perdido seu filho por outra pessoa e esta agradecesse ao seu vizinho?
No caso de Deus, Ele entregou seu Filho por todos nós e nós ficamos exaltando um coelho imaginário que nem traz nada, nem mesmo o chocolate.... 
Deus meu! O que o mundo está fazendo?
Pensem nisso!


Dag Veloso