quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Grata à quê?

Hoje soube do casamento da filha mais velha do meu antigo médico, tenho certeza de que foi lindo até mesmo pela beleza da própria moça tão encantadora que é.
Só que não pude evitar de lembrar da vez que ele riu por eu ter ficado estéril e o imaginei levando-a ao altar, realizando um dos sonhos dela, talvez o dele mesmo, inevitavelmente o que se espera após uma união matrimonial, mesmo que não de imediato, é a dádiva do filho ou filhos.
Não pude conter meus pensamentos e indaguei: _Que tipo de ser humano sorri diante de suas realizações tendo destruído ou zombado dos sonhos de outra pessoa?
Foram tantas as vezes, foram tantos sonhos que escapuliram de minhas mãos, meu coração foi dilacerado impiedosamente e a cada tristeza lá vinham as pessoas me dizendo que eu devia ser grata.
Grata à quê?
Me diga você, a que devo agradecer?
No auge dos meus sonhos e antes mesmo de concretizá-los os perdi: saúde, casamento, filhos, juventude, viço...
É muito simples pessoas virem me dizer que tenho que ser grata quando suas vidas são quase como contos de fadas.
Não, eu não estou sendo ingrata agora, também não estou desejando coisas ruins pra ninguém até mesmo por conhecer essa moça e saber que ela é um anjo. Apenas estou indignada com a maneira como fui tratada e não somente uma vez mas muitas.
Esse mesmo homem tantas vezes segurou minhas mãos e me fez crer que se importava, me conquistou com seu jeito brincalhão mas assim como meus sonhos também a amizade dele era uma ilusão.
As coisas que vivo ainda não são de todo mal, estou como ele mesmo me disse certa vez, sobrevivendo e sobrevivendo bem. Mas tudo que me foi feito ou dito foi com injustiça porque eu já estava no fundo do poço e não havia necessidade de qualquer pessoa tripudiar.
Agradeço, sim, pelas tantas chances que tive e ainda tenho mas não venha ninguém me dizer que devo ser grata quando não passam pelo mesmo que eu passei. A dor do câncer acrescida à dor da alma só quem já sentiu sabe como é e não aceito que mais ninguém me fale que tenho de ser grata quando vejo pessoas insensíveis fazerem exatamente as coisas que se alegraram serem impossíveis pra mim.
Sou grata, sim, mas não me conformo quando, nem ao menos, recebo um pedido de desculpas.

Dag Veloso



2012

2012 está acabando e foi um ano incrível, não posso reclamar pois foi um bom ano mesmo com as dificuldades.
Desde fevereiro quando aniversariei me foi dito que seria meu ano, uma nova história começava a ser escrita e Deus me restituiria algo perdido.
Foram muitas coisas que perdi mas nem todas eram pertencentes à mim e se foram tarde, e não fazem falta.
A única coisa que sei que é minha e me foi tirada, foi a saúde, o resto que perdi nada era meu, de fato.
Minha história começou a mudar uma semana após meu aniversário quando no hospital em que fazia tratamento fui destratada por uma médica. Naquele dia eu fiquei tão perdida que me sentei num canteiro de frente ao estacionamento do hospital e com a cabeça entre meus braços cruzados chorei como uma criança perdida da mãe. Naquele momento em meio ao choro, orei à Deus pedindo que me tirasse dali pois não aguentava mais tanta pressão e tanto descaso.
Não precisei brigar, apenas encontrei nas pessoas o auxílio do próprio Deus que me tirou de lá no mesmo mês.
Eu espero que um dia os médicos entendam que, nós pacientes, somos seres humanos e temos medos, temos ansiedades, incertezas, instabilidades emocionais; ora por medicamentos, ora pela doença, ora por insegurança mesmo. Não entendo como seres humanos com tanta habilidade, tanta inteligência podem nos tratar como se não existíssemos, como se fôssemos nada.
Na minha lista de coisas a serem realizadas, essa é uma delas, que os médicos nos sintam como seres humanos que querem confiar neles, que precisam deles, que precisam de defensores reais, pessoas que lutem por nós porque estamos fragilizados no meio de nossa guerra íntima com um inimigo que nos consome sem misericórdia alguma.
Mas foi após aqueles dias tão decisivos que eu passei a ver portas se abrirem, oportunidades, pessoas e passei a me ver como um ser humano autêntico, coisa que o mieloma não me deixava mais ver.
Quando se tem uma doença, principalmente se for incurável, você se funde à ela, faz parte dela e ela de você, não deveria ser assim mas é o que acontece com algumas pessoas (aconteceu comigo) e depois de um tempo fica impressionado quando entende que ela não faz parte de você, nunca fará, é uma intrusa e deve ser despachada o quanto antes.
Por algum tempo eu me fundi e confundi com o mieloma mas ele não é Dagmar, é só uma doença que não me acrescentou nada, apenas pude, através da situação, aprender coisas e conhecer pessoas muito importantes.
2012 foi marcado por novas esperanças, novas sensações de medo, alegria, raiva, amor, paixão, decepção, pude sentir a vida durante todo esse ano, senti minha existência pura e simples a cada dia.
Experimento agora uma nova sensação, a expectativa pelo próximo ano. Nunca em toda minha vida tive tanta ansiedade pelo novo ano, por saber o que será, que história escreverei, que tipo de situações Deus me permitirá viver, que milagre acontecerá...
Estou com medo de 2013?
Pra ser sincera eu não queria que o ano acabasse, meus dias foram bons e não tenho pressa do amanhã mas eles correm com uma agilidade sem par e agora estamos às portas de um novo ano. Não há como retroceder, apenas ir em frente.
Estou desejosa de uma vida melhor e hoje em dia existe apenas um único sonho que preciso realizar pra dizer que valeu a pena tudo isso mas ainda nem sombra dele.
Quem sabe em 2013?!
Meu Deus! Abençoa meus dias, seja minha saúde, seja minha paz, seja meu tudo.

Dag Veloso




sábado, 15 de dezembro de 2012

Voltando pra casa

Eu vou sentir saudade
do verde que veste a terra,
do azul que disfarça o infinito,
da água que corre,
da que também cai.
Água que sacia a sede
também limpa e refresca.

Sentirei falta da brisa
nos dias quentes de verão,
do ar da manhã,
da sinfonia das aves,
das montanhas que saltam à vista
com tamanha formosura.

Sentirei falta das rochas
com suas formas peculiares.
Das lindas flores tão frágeis.
Das noites iluminadas e
também das escuras.
Sentirei falta, sim, de tudo isso.

"Voltando pra casa" e olhando a paisagem, descrevi algumas coisas que eu amo e que não gostaria de ficar sem, só não me permiti imaginar ficar sem os que eu amo.
Muitas vezes passamos pela vida sem percebê-la...
Voltar pra casa pode me fazer perceber isso tudo ou me fazer sentir saudade disso tudo.
Voltarei pra casa em breve.

Dag Veloso







Depois da janela

Texto escrito dia 04 de dezembro de 2012.

Mais um dia, mais um exame, rotineiro mesmo assim incomodo e logo que saí resolvi tomar meu café no banco da praça do hospital e avistei várias janelas, muitas delas fechadas o que me inspirou os pensamentos.
Viajei através daquelas janelas.
O que elas representam?
O que há por trás delas?
Dor? Medo? Tristeza? Esperança? Será que a própria morte?
Não sei, porém já estive do outro lado da janela e não podia contemplar o azul do céu, nem o verde do jardim. Me agarrava ao relógio pra não deixar de fazer parte do tempo ou ele de mim.
Hoje estou deste lado da janela, contemplando tudo com olhos atentos e sedentos mas também a janela ainda posso ver, ela ainda está em algum lugar, de vez em quando a vejo e me lembro de como é estar do outro lado.
Eu penso que sempre há o que aprender e o fato de eu sempre esbarrar com ela deve ter um motivo bastante importante.
Todas elas representam o desconhecido, o inesperado, limitação, talvez o fim, todas são incógnitas, o melhor é estar sempre do lado de fora, junto ao jardim, debaixo do céu, sentindo o calor do sol ou admirando a beleza da lua e estrelas.
Não sei se em sua vida você se depara com alguma "janela" mas minha janela, essa mesmo, representa a delicadeza e fragilidade da vida.
Viver a vida é muito mais que fazer coisas extraordinárias, tem que senti-la o tempo todo, tem que amar, prestar atenção...









Dag Veloso

(As fotos deste texto foram tiradas por Dag Veloso)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Dia de Glória, ou seja, Dagmar

Ontem estava pronta pra ir à casa da minha amiga Cláudia Bueno e Douglas Silva em Mineiros do Tietê quando decidi que iria, pela primeira vez, sair de moto na estrada. Por se tratar de um trecho bem curto embora de pista simples mas curto, resolvi ir. Não contei pra ninguém, nem mesmo pra ela, pois sabia que meus amigos super protetores não me deixariam ir, o que nunca faz diferença porque sempre acabo fazendo do meu jeito... rsss
Bem, eu saí mais cedo pra no caso de desistir dar tempo de voltar pra guardar a moto e ir pra lá sem que atrapalhasse o horário que havia combinado.
Sei que quando estava chegando perto do Masieiro (Metalúrgica), vi alguns carros e caminhões passarem na pista e até pensei em desistir mas, vamos combinar, desistir não é muito minha cara e então eu simplesmente fui.
O percurso não chega a meia hora e facilmente cheguei à cidade deles.
Quando lá cheguei uma sensação de EU POSSO me invadiu, foi como se tivesse feito algo tremendamente difícil, como se tivesse atravessado um oceano ou mesmo o mundo inteiro.
Sim, lá vou eu de novo com aquelas minhas histórias corriqueiras que ninguém entende o valor tão alto que as dou.
Pois é, eu tenho muitos medos adquiridos pelas situações que vivi com o mieloma, minha insegurança com a vida é como alguém que segura um cristal muito valioso com uma única mão e ainda ensaboada.
Foram muitas as vezes que não tive certeza de que conseguiria e já desisti de várias coisas, sim. Não sou tão persistente quanto pareço diante de minhas publicações. Muitas vezes não gosto da sensação que isso traz e não quero esse sentimento continuamente em mim.
Eu amei a sensação de liberdade que me causou ter feito isso, a sensação de poder fazer o que não era provável que eu fizesse.
Sei que é complicado pra quem me ama entender o porquê de eu fazer coisas desse tipo, sei que se preocupam comigo, como meu irmão Douglas Veloso que pediu pra eu tomar jeito e ir com mais calma. Eu entendo o que se passa na cabeça dele e de outras pessoas que se preocupam e talvez eles ainda não tenham parado pra tentar entender o que se passa na minha cabeça; no meu coração.
Eu necessito de momentos assim, saber que eu posso, que ainda estou viva.
Como no dia que voltei de São Paulo em 10 de junho deste ano, vim de carona com um amigo e ele me deixou vir dirigindo o carro dele. Pra quem não sabe eu só tirei carta de moto, não sei dirigir carro e ele me ensinou em plena estrada. Isso é algo bem comum, eu sei. Existem muitas pessoas que dirigem sem ter carta e aprendem fora da auto escola mas a questão é que no dia 10 de junho eu completava 7 anos do dia que havia sido internada pela primeira vez no Amaral Carvalho com o diagnóstico de câncer.
7 anos depois do que me pareceu ser uma sentença de morte eu estava ali, dirigindo um carro de volta pra minha casa.
Imagina o que eu sinto quando faço algo assim!!
Eu me sinto um milagre e quando estou desanimando ou entristecendo-me com algo necessito coisas assim pra entender que eu ainda posso.
As coisas podem não ser como eu sonhei mas eu ainda posso, as coisas podem ter se perdido após o mieloma mas eu ainda estou aqui.
Simples assim, essa sou eu, Dag, que vive o dia de hoje que Deus me dá e, podem crer, Ele foi e voltou comigo em cima, na frente, atrás e dos lados da minha pequena moto que também fora presente dEle.
Quanto aos perigos, quer maior perigo que se ter uma doença dentro de si onde os médicos te dizem que pode voltar sem ter o que fazer?
E seu puder escolher entre morrer numa moto com a sensação de liberdade ou numa cama de hospital agonizando, o que acham que eu escolherei?
No entanto não penso na morte dessa ou daquela forma quando eu faço essas coisas, penso na vida, o que é a vida senão um sopro que um dia sessa?
Eu não tenho tanto viço de juventude que me permita fazer essas coisas todos os dias, não é sempre que estou bem ou mesmo disposta pra isso mas quando Deus me presenteia com dias de grande intensidade não seria boba de ficar em casa dormindo, né?
Ahhhhhh! E ainda não tenho a Habilitação, estou só com a Permissão Para Dirigir... rsss
O que digo agora é que vivam suas vidas com muito amor, amor ao próximo, amor à si mesmo e principalmente amor à Deus e mesmo em meio à lutas, tudo lhe servirá por vitória, suas lágrimas se tornarão como diamantes, seu desespero se mudará em esperança, sua tristeza será substituída pela alegria da Salvação em Jesus.

Dag Veloso


domingo, 11 de novembro de 2012

Pare e dê atenção

O mundo está sedento de atenção, todos procuram a mesma coisa e quase ninguém encontra, até mesmo por não prestar atenção ao próximo. 
As pessoas passam a vida se queixando disso e daquilo e não percebem que a maior parte de seus problemas sentimentais são reflexos do que elas mesmas fazem. 
Pare de emburrar com qualquer coisa, pare de guardar raiva por besteiras, pare de apontar o dedo pra coisas que já se passaram, a vida é tão pequena, pequena no sentido de curta e frágil, hoje estamos aqui e amanhã não mais mas não se pode prever e somente quando se para de viver como se fosse imortal é que aprendemos a dar atenção devida às coisas realmente importantes.
Eu vou continuar eu mesma, vou continuar tentando dar carinho e amizade à todos que passarem por meu caminho e não vou me sentir mal por isso pois é isso que Deus espera de nós, que nos amemos uns aos outros do jeito que Ele nos ama, pode crer, por mais que eu faça não chegarei ao amor que Ele sente por você, por mim, por nós... 


Dag Veloso





Esposas e esposos

Esposas e esposos, eu estava pensando e decidi deixar um texto como conselho de amiga. 
Sabe? Eu já fui casada e nunca foi minha vontade que meu casamento se acabasse mas eu entendo que mesmo isso me veio pra entendimento pois hoje eu sei bem onde acertei e errei. 
Mas o conselho que deixo à vocês é que; pra cada insulto que você faz pra seu esposo ou esposa tem uma mulher ou homem mal intencionado pra elogiar do lado de fora de sua casa. 
Nunca deixe seu cônjuge sair de casa com uma tristeza ou um problema mal resolvido. 
Pra cada olhar de desprezo que você dirigir à ele ou ela tem um olhar de admiração lá fora, pra cada erro apontado por ti tem uma qualidade notada pelos outros. 
Não deixem de andar ao lado de seus companheiros, não viajem sozinhos, evitem ao máximo as exposições às tentações. 
O casamento é cheio de desgastes emocionais e é um grande desafio mas pode ser maravilhoso se usar de sabedoria e, vamos admitir, se estender suas mãos pra oferecer uma flor não receberá em troca uma agressão. 
Casamento tem muito valor e apenas uma infidelidade o desfaz diante de Deus, lute por ele. 

Dag Veloso